domingo, 7 de agosto de 2011

sexta-feira, 5 de agosto de 2011








Olhe o Jean-Marie Straub. Não o admiro por passar fome. Admiro-o porque faz cinema e porque para fazer o cinema que faz tem de suportar a guerra que a Alemanha lhe declarou. O público alemão que, aliás, ele considera o melhor da Europa, vinga-se na quotidiana côdea do cineasta que, imperturbável (até quando?), continua a massacrá-lo comos seus filmes. O mais extraordinário é que a firmeza moral de Straub não se aparenta em nada com um romântico suicídio aos pés da barriguda Besta bávara! O menos que se pode aventar é que o conflito, que exclui todas as possibilidades de reconciliação (nicht versohnt), é de prognóstico assaz duvidoso. Uma coisa, porém, é certa: cada filme que o Straub consegue fazer, rompendo a barreira económica que o sistema lhe impõe, é uma vitória do chamado bloco aliado do cinema, e se eu não acreditasse que a Alemanha vai perder a guerra refugiava-me num país onde nunca ninguém tivesse ouvido falar do flagelo cinematográfico. A par disto, como sei que não chego a netos, vou tentar reconciliar-me com a morte.





sábado, 16 de julho de 2011

segunda-feira, 11 de julho de 2011



Quatro personagens deslocados no tempo: a mulher que vai de Taiwan à Paris, e não consegue dormir pela noite, devido à diferença de fuso; o vendedor de relógios, que ao vender o seu para a mulher, cria certa mania de ajustar os relógios ao horário da capital francesa; sua mãe, que tenta adaptar-se ao tempo do marido, morto (o tempo suspenso); e a do próprio autor, que, apaixonado pelo cinema de Truffaut, busca este encontro, materialmente impossível, através do filme (exatamente em um cemitério - onde as coisas tornam-se imutáveis -, que tal encontro ocorre). Todos presos a um tempo virtual, não-próprio, o tempo dos outros. Ming-Liang prova que, pelo menos no cinema, é impossível definir com certeza as quatro dimensões de um evento, e dá vida novamente a seus mortos.

terça-feira, 5 de julho de 2011



A luta solitária, a corrupção como negação da ação - filme de bastidores -, o lento processo de desmoronamento. A confusão entre disfarce e desgaste. A ruína como troféu.


quinta-feira, 16 de junho de 2011

terça-feira, 7 de junho de 2011

Tentativa de voltar a escrever nº 1



1. Guerra: Fica evidente que, em se tratando de história da civilização, não há momentos de paz. O filme se inicia em guerra, não se conclui. Do que recordo, um par de diálogos deixam isso bem explícito: a afirmativa de 'que quando sairmos desse período, as coisas irão mudar' - como se não estivessem sempre nesse estado -, proferida num certo tom de dúvida, esperança perdida; e o seu diálogo final.
2. Sexo: A representação do feminino como refém do masculino, seja pela sedução (a inversão do Éden), pela necessidade, pela inocência. Cinco mulheres marcadas não pela suposta traição à pátria, mas por se deixarem levar, a todo momento, pelo feminino; o estigma não é conseqüência do amor proibido, é a própria condição mulher. A condição masculina, por sua vez, é a opressão, enquanto refém de outra - sua própria invenção - a guerra.