quinta-feira, 16 de junho de 2011
terça-feira, 7 de junho de 2011
Tentativa de voltar a escrever nº 1

sábado, 5 de fevereiro de 2011
Matar ou morrer

A maneira mais fácil que encontrei para ver Matar ou morrer quando não mais o aturava (ali pela sua metade) foi considerá-lo como a sua própria canção-tema. Neste ponto, é importante diferenciar o uso da canção popular neste filme dos filmes de John Ford, por exemplo. No último, a música antecede o filme, e funciona como suporte para a reconstrução de um fenômeno cultural/histórico (o próprio western, como gênero, o é); no primeiro, ela nasce com o filme, transformando-se em seu duplo. Sendo assim, somos expostos a dois produtos (música e filme), simultaneamente, que, ao venderem a mesma idéia, confundem-se. É como se a ficção precisasse ser creditada, validada, como se não existisse independente e acima de qualquer suposição de verdade (como o cinema o é). Nesta inversão do processo, o filme acaba tornando-se veículo para a divulgação da sua música (como a propaganda ou o videoclipe o são).
O maior problema do filme, no entanto, é minar o seu grande trunfo (a tensão construída em torno da figura de Frank Miller, que só aparece em seus dez minutos finais) para explicitar o conflito covardia x coragem que o material insiste em promover grosseiramente, mas sob planos esteticamente agradáveis, de uma virtuose que lembra Leone.
A tensão só é restabelecida quando resolve-se fazer cinema novamente: o tempo, que antes se arrastava, para completamente, o xerife escreve seu testamento, rostos (o medo, a angústia, a indiferença, o sentimento de impotência) são mostrados como em um compêndio, interrompido bruscamente pelo apito do trem que parece rasgar a tela, anunciando o seu desfecho, inicialmente temido, mas com o tempo profundamente desejado.
domingo, 23 de janeiro de 2011
Fados
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Mad Max
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
A questão coxinha

Por volta de 2005 ou 2006, uma das salas do Circuito Sala de Arte, em Salvador, ameaçou de fechar. No lugar, funcionaria a cozinha de uma delicatessen (a dona da melhor coxinha com Catupiry da cidade, que o diga a Veja Salvador). Comoção pública: “Céus, fecharam um cinema! E por dívidas! Cadê a intervenção do Estado? Não podemos deixar o capitalismo destruir a cultura!”. À época, o tal circuito (um grupo privado, diga-se) era composto de três salas: Bahiano, Museu Geológico, Cine XIV. Hoje, a Perini (delicatessen em questão) está devidamente instalada. A rede (de delicatessens) foi vendida, cresceu pouco, e piorou na qualidade. O grupo Sala de Arte, entretanto, abriu cinco novas salas. E aí vem a pergunta: e a qualidade dos filmes? A mesma, talvez pior. De lá pra cá, o “mito do filme europeu” cresceu, e muito. Junto, veio a projeção digital, a “democratização” (leia-se: redução de custos, destruição da imagem) de filmes com poucas cópias*.
A história se repete em São Paulo. O fetiche não tá só na fotografia “Walter Carvalho”, passou ao espaço físico. Sala e programação parecem ter se fundido em um processo desejado pelas classes mais altas de que a segregação social chegue ao cinema (já chegou).
E eu que vou ficar parecendo o reacionário. O engraçado é que esse pessoal é provavelmente o mesmo que vem reclamar de editais de cultura: “Gastar dinheiro com um filme que ninguém vai ver? Disparate!”.
“É projeção digital? Foda-se, é europeu, é de qualidade”. Nas entrelinhas, lê-se bem fácil “Onde irei comer meu croissant e tomar meu cappuccino antes de uma sessão vazia?”. Eu ainda prefiro que tenha mais um lugar vendendo minha coxinha do que um lugar exibindo os mesmos filmes, e ainda em janelas erradas e com imagem escura.
Minha coxinha piorou, e não encontro ninguém para fazer protesto, abraçar um frango ou qualquer coisa (não pegaria bem, é de um grupo privado, e nem é vegetariano). Ninguém tombou (deveriam, pergunte a qualquer baiano sobre a coxinha), mas coloquem um filme do Spielberg para passar em uma Sala de Arte que vocês verão a comoção.
* O cinema do MAM é o único que continua exibindo filmes em seu formato original.



